Bicudo: Experience Agency

A recente contratação de talentos do mercado publicitário por parte das consultorias de marketing reforçou uma polêmica que vem se arrastando desde o início deste 2017.

A preocupação é que as consultorias estariam tentando exercer o papel até então destinado às agências, oferecendo não só mais sua especialidade como também um cardápio completo de comunicação, inclusive uma criação de qualidade.

Há um mês como diretor executivo e líder da Accenture Interactive para a América Latina, Eduardo Bicudo recebeu o Blog para comentar assunto. Ex-presidente da Wunderman, onde atuou por 14 anos, ele admite que a empresa está estruturada para atender as novas necessidades dos anunciantes, que vão além da elaboração de campanhas e compra de mídia.

Aliás, sobre essa atividade, contestada pelas agências, Bicudo informa que a partir da compra da AD Dialeto, a Accenture também pode realizar compra de mídia, embora não seja esse seu objetivo principal.

Antes de Bicudo, o escritório brasileiro da Accenture já havia contratado outro nome de destaque do mercado publicitário, Eco Moliterno, que deixou a Africa para assumir como CCO da empresa.

Bicudo, que substitui José Gonçalves, agora com novas funções para Europa e África, nega que essas contratações sejam um avanço das consultorias sobre o negócio das agências. “O cliente é quem vai decidir com quem quer trabalhar”, diz Bicudo

“Talvez Experience Agency seja a melhor definição para a Accenture. Nosso foco é trabalhar a partir da experiência do consumidor e somos apenas mais um concorrente no mercado. Queremos transformar experiência em comunicação, independente de qual seja o caminho a ser adotado para a mensagem”, completa.

Como ele diz, realizar uma campanha completa, inclusive com filme e anúncio, não é o objeto da Accenture, mas sim uma possibilidade. Oriundo do meio digital, Bicudo já fazia esse tipo de trabalho na Wunderman. Agora, essa possibilidade fica maior na maior rede digital do mundo, como foi definida a Accenture pela Advertising Age em seu relatório do último mês de maio.

Segundo a publicação, após avaliar 700 empresas, a Accenture Interactive apresentou a maior receita estimada para 2018, no valor de US$ 4,4 bilhões, com crescimento no ano fiscal até agosto do ano que vem, de 50,9%.

Hoje, informa Bicudo, a Accenture não tem cliente verticalizado. Embora não possa revelar quais são, afirma que todos ainda trabalham num modelo misto, e são compartilhados com agências e outras empresas fornecedoras de serviços de comunicação. Sua forma de remuneração é baseada em fee, como aponta tendência desse mercado.

Como líder da Accenture Interactive para a América Latina, Bicudo também vai comandar um projeto de expansão na região com apoio de Cristiano Muniz, diretor da empresa em Buenos Aires e da divisão HSA (Hispanic South America), que também coordena os atuais escritórios do Chile, Peru e Colômbia.