Ao longo de 2015, a Accenture Digital, braço da consultoria global, realizou quatro grandes movimentos no mercado brasileiro com o objetivo de expandir a entrega de negócios online — analytics, marketing digital e mobilidade — para seus clientes. Em fevereiro, adquiriu abrasileira Gapso, especializada em sistemas de análise de dados com escritórios em Belo Horizonte, Vitória e Rio de Janeiro e, no mês seguinte, lançou a operação da Fjord, focada em design thinking e adquirida globalmente pela companhia em 2013, na capital paulista.

Em agosto, comprou a agência de performance AD.Dialeto. Para completar a estratégia de expansão, inaugurou, em junho, um Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Digital em Recife, dedicado à evolução da análise de dados e à produção digital e investiu em um espaço dentro do Cubo, centro de empreendedorismo do Itaú e Redpoint eVentures, em São Paulo, com o intuito de fomentar projetos de startups.

Responsável pela Accenture Digital na América Latina, Rodolfo Eschenbach,conta que as recentes iniciativas reforçam três pilares fundamentais para a área. “Entendemos que precisamos ter as tecnologias mais ágeis, o que envolve cloud, metodologia e dispositivos conectados. Em segundo lugar, há a necessidade de entregar analytics preditivos e relevantes e, em terceiro, aprofundar a experiência do consumidor por meio de análises, produção e gerenciamento de conteúdo e desenho dos serviços”. Criada no final de 2013, a Accenture Digital abarca as divisões analytics, mobility e interactive, e é uma das quatro unidades da Accenture, que também conta com Consultoria, Operações e Tecnologia. A área foi apontada como a terceira maior rede digital pelo Agency Report 2015, do Advertising Age, atrás da IBM Interactive e Deloitte Digital.

Na publicação do relatório, Michael Roth, chairman e CEO do Interpublic, admitiu ao AdAge que a presença das consultorias no ranking acirra a concorrência com as agências. “Não há dúvida de que estamos competindo com empresas que nunca havíamos competido antes. É um mercado muito competitivo e temos de fazer nossa parte”, comentou.

Ao mesmo tempo que grupos de comunicação têm investido em agências de performance, como é o caso do WPP, que adquiriu a Jüssi, e do grupo ABC, que abriu a MuchMore, agência de soluções digitais, as consultorias têm cavado cada vez mais espaço na disputa pelo mercado digital. Rodolfo admite a intenção: “A Accenture, assim como a Deloitte e a McKinsey, estão no mesmo caminho. Queremos competir com agências digitais, isso é saudável para o mercado. Mas não atuaremos como agência off-line ou de branding”, afirma.

Para Leonardo Cid Ferreira, fundador e CEO da AD.Dialeto, o entendimento tecnológico de consultorias como a Accenture é o que motivou a venda de sua agência. “As empresas estão querendo se transformar, mas não têm parceiros que as atendam diretamente com soluções de transformação digital. Queremos nos aproximar do CMO e, para isso, é preciso ter uma abordagem de marketing holística. Com a Accenture, podemos avançar nesse território.”

Esta matéria foi publicada na edição 1703 do Meio & Mensagem, de 28 de março, disponível exclusivamente para assinantes nas versões impressa e para tablets Android e iOS.